
Passados 19 anos do jogo mais célebre do Estádio Arruda, a Seleção retornou ao palco que embalou o time do tetracampeonato no momento de maior crise de Mano Menezes no cargo. E, como se buscasse a repetição da história na goleada por 8 a 0 sobre a China na última segunda-feira, os jogadores brasileiros aproveitaram a coincidência para fincarem em Recife o ponto de virada na busca pelo hexacampeonato.
Depois de serem fortemente vaiados na vitória suada por 1 a 0 sobre a África do Sul e aumentarem o abismo em relação ao torcedor, os jogadores da Seleção desfrutaram do clima de apoio pernambucano para jogarem "com a faca nos dentes" diante de uma fraca China. Com este cenário, o resultado de 8 a 0 saiu com naturalidade, assim como em 1993 a Seleção marcou 6 a 0 na Bolívia, evitou um desastre nas Eliminatórias e deu fôlego para o técnico Carlos Alberto Parreira chegar até a Copa de 1994 e ser tetracampeão.
Se há 19 anos os criticados pupilos de Parreira entraram em campo de mãos dadas, nesta segunda o momento escolhido para mostrar união foi no Hino Nacional. Todos se abraçaram e cantaram com força a melodia, como se quisessem mostrar que estavam empenhados em defender o País. Uma demonstração de patriotismo que nada adiantaria se faltasse futebol como diante da África do Sul.
Mas a junção de vontade, superioridade técnica e fragilidade rival fez com que o jogo virasse uma lavada. Cada um dos oito gols foi comemorado com um abraço coletivo dos 10 jogadores de linha. Gestos para a torcida e manifestações de garra deram sequência a uma atuação espetaculosa complementada por um agradecimento de mãos dadas ao final do jogo. Uma resposta às cobranças percebidas em São Paulo.
"Óbvio que você sofre (com vaias) porque você está tentando fazer o melhor. Estamos ficando mais duros, aprendendo a sofrer e aprendendo onde queremos chegar. É muito importante o apoio do torcedor. Mesmo com o torcedor não satisfeito, vamos estar sempre fazendo nosso melhor", disse o técnico Mano Menezes. "Nos abraçamos para mostrar que estamos unidos", completou Dedé.
Em 1993, a Seleção corria riscos de ficar fora da Copa do Mundo e curiosamente também enfrentou um rival fragílimo para iniciar a recuperação. Na sequência, o Brasil garantiu a vaga no Mundial ao derrotar o Uruguai no Maracanã e conseguiu o tetracampeonato nos Estados Unidos no ano seguinte praticamente com o mesmo grupo que fez o pacto pela reação em Recife.
Agora o caminho é mais longo. Faltam dois anos para a Copa e a motivação terá de ser mantida ao longo de um tortuoso caminho para Mano Menezes e seus comandados. Ainda sentindo o peso pela decepção da prata olímpica, fracasso na Copa América e derrotas para os grandes mundiais, o treinador ainda tem a Copa das Confederações no próximo ano antes de chegar ao Mundial. Só daqui dois anos poderá se afirmar que o jogo do Arruda contra China marcou a virada da Seleção de Mano. Ou se foi apenas um espasmo de futebol.
Fonte: http://esportes.terra.com.br/futebol/copa/2014/noticias/0,,OI6144991-EI18776,00-Com+nacionalismo+Selecao+tenta+repetir+reviravolta+de+Recife.html
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